Relatos do Irmão Xexéu

Sobre o 7º culto: prosperidade sim, hospitalidade não

Enviado em comentários "oficiais" by K-fé em Maio 3rd, 2008

Irmão Xexéu,

A respeito do culto na Igreja Renascer para Cristo, para que microfone e som alto assim para 30 pessoas?

Entristece-me ver mais uma igreja enfatizando a Teologia da Prosperidade. Permita-me listar alguns versículos sobre o assunto:

Mateus 6.19 “Não ajuntem riquezas aqui na terra, onde as traças e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam.”

Atos dos Apóstolos 20.35 “Em tudo tenho mostrado a vocês que é trabalhando assim que podemos ajudar os necessitados. Lembrem das palavras do Senhor Jesus: ‘É mais feliz quem dá do que quem recebe.’”

I Timóteo 6.8-10

“Portanto, se temos comida e roupas, fiquemos contentes com isso.
Porém os que querem ficar ricos caem em pecado, ao serem tentados, e ficam presos na armadilha de muitos desejos tolos, que fazem mal e levam as pessoas a se afundarem na desgraça e na destruição.
Pois o amor ao dinheiro é uma fonte de todos os tipos de males. E algumas pessoas, por quererem tanto ter dinheiro, se desviaram da fé e encheram a sua vida de sofrimentos.”

Esse conselho de só convidar para entrar em casa quem o crente tiver alta confiança também me incomoda. Deixe-me citar outros versículos.

Mateus 25.43 “Era estrangeiro, e não me receberam na sua casa; estava sem roupa, e não me vestiram. Estava doente e na cadeia, e vocês não cuidaram de mim.” (Deus falando aos que estão debaixo da maldição de Deus, destinados ao fogo eterno. Note a palavra “pois” do versículo 42. “Afastem-se de mim [...]. Vão para o fogo eterno [...] pois [...] não me receberam na sua casa”, etc)

Hebreus 13.1,2 “Continuem a amar uns aos outros como irmãos em Cristo. Não deixem de receber bem aqueles que vêm à casa de vocês; pois alguns que foram hospitaleiros receberam anjos, sem saber.”

Lucas 24.28,29 “Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez como quem ia para mais longe. Mas eles insistiram com ele para que ficasse, dizendo: — Fique conosco porque já é tarde, e a noite vem chegando. Então Jesus entrou para ficar com os dois.” (História do caminho de Emaús, onde os dois homens convidaram o estranho - Jesus - para ficar com eles.)

Outra história bíblica interessante que fala sobre a hospitalidade está em Juízes 19.

O levita vai atrás da noiva na casa dos pais dela, e a convence a voltar pra casa dele. Na viagem no caminho de volta eles não ficam na cidade dos jebuseus justamente para ficar em Gibeá, que era uma cidade do seu povo, os israelitas. Mas havia algo de estranho na cidade

Juízes 19.15 “Aí saíram da estrada para passar a noite na cidade. O levita chegou e se sentou na praça. Mas ninguém o convidou para dormir na sua casa.”

Isso já é um mau sinal. Naquela época não havia hotel como hoje. Era costume dos israelitas justamente hospedar os viajantes que estivessem na praça. O final da história é trágico. Um velho passa pela praça e os recebe em casa. À noite vêm os homens da cidade batendo na porta do velho ameaçando pegar o levita para ter relações com ele. Então o levita pôs a sua esposa para fora de casa. Os homens a forçaram e a abusaram sexualmente a noite toda, deixando-a morta de manhã na frente de casa.

Pesquisa de opinião pública: se o casal Hernandes, atualmente presos na Flórida por mentir à aduana americana sobre a quantidade de dólares que tinham, pedisse para ser hospedado na sua casa, vocês teria malta confiança neles e os hospedariam?

Abraços,

K-fé

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7º culto: Igreja Apostólica Renascer em Cristo, RJ

Enviado em relatos by irmaoxexeu em Abril 11th, 2008

Domingo, 06 de Abril de 2008.

Caro irmão K-fé,

Atendendo aos pedidos, estou aportando na Igreja Apostólica Renascer em Cristo no Rio de Janeiro.

(Ouça a introdução clicando aqui autofalante.jpg)
Igreja que ficou muito na mídia ano passado, devido à prisão de seus líderes: “Bispo” Estêves juntamente com sua esposa “Bispa” ou seja,” Episcopisa” Sônia, que ao chegarem aos EUA omitiram a totalidade de dólares que carregavam. Também é conhecida por ser a igreja do Kaká, atleta eleito o melhor jogador de futebol de 2007.

Logo na entrada dei de cara com um “brechó”, com roupas de toda estirpe. Um jovem atrás de um balcão me informou que o culto estava começando. Dobrei o corredor à esquerda e me deparei com um galpão de 30m x 10m com 96 bancos postados quatro a quatro. Umas 30 pessoas de pé com as mãos levantadas entoavam cânticos, sendo acompanhadas por três vocais, uma guitarra, um teclado e uma bateria. Como nas igrejas atuais tínhamos mais de 100 decibéis no salão. O que me chamou a atenção foi que o público dominante era de pessoas bem jovens.

Após o período de louvor que me custou 25 minutos em pé, e que pouco identifiquei o que cantavam, fomos convidados a sentar.

(Ouça um pouco da música da Renascer clicando aqui autofalante.jpg)

Em cada banco havia dois envelopes. O primeiro, com os dizeres em vermelho, tinha a finalidade de dízimos, ofertas e ofertas especiais. Na contra-capa um convite para me tornar um “Gideão”, abraçando mensalmente as obras assistenciais da Fundação Renascer. O segundo, com dizeres em azul, era destinado a pedido de milagres. Tinha espaço para identificação familiar, pedidos e como não poderia faltar, pedido de oferta. Todos os dois envelopes apresentavam I Reis 17:14 como tema (”Pois o SENHOR, o Deus de Israel, diz isto: ‘Não acabará a farinha da sua tigela, nem faltará azeite no seu jarro até o dia em que eu, o SENHOR, fizer cair chuva.’”)

Igreja Renascer em Cristo

Igreja Renascer

Logo chegou o momento dos testemunhos. Três jovens compareceram. A primeira falou da bênção de Deus ter feito com que aparecesse uma soma em dinheiro em sua conta bancária, que fez com que pudesse saldar suas dívidas. A segunda relatou da bênção de ter participado do encontro de mulheres e também relatou que seu marido se tornou outro após freqüentar o encontro de homens. A terceira relatou ter sido promovida no emprego, após ter feito um propósito financeiro com Deus. Todos aplaudiram a Jesus após cada depoimento.

Veio a primeira reflexão da noite, baseada em Gêneses 24:1-22. Notei que a “Bispa” tinha em seu poder um caderno grande de anotações. Fez várias afirmações: “Deus quando abençoa uma pessoa abençoa em tudo, porque é um Deus de obra completa”. Disse que Abraão sabia que Isaque precisava de uma pessoa especial para o desenvolvimento da obra de Deus e que não poderia ser nenhuma Cananéia. Tinha que ser alguém especial, e a escolhida do Senhor. Falou que Rebeca significava a oferta que você vai pegar, oferta que custa. Oferta que você vai pegar que é pura. Rebeca é a oferta que você vai pegar que é abundante. A oferta que é a continuidade da unção de Deus. Rebeca representa a melhor oferta para Isaque. Rebeca é a oferta generosa, oferta da santidade É a oferta que você vai pegar do jeitinho que o servo Eliézer pediu. Em suma, a sua oferta vai ser santa, pura, abundante, generosa, o que representa o melhor para você agradar a Deus. Não preciso dizer que a próxima parte do culto foi a de dedicação dos dízimos e ofertas.
(Ouça a esta parte clicando aqui e aqui tambémautofalante.jpg)

Novamente tivemos uma parte musical, preparando o ambiente para a segunda reflexão da noite.

Na segunda reflexão foi lida a passagem de Isaías 39:1-5. A bispa orou na autoridade de Jesus, amarrando o valente no abismo e toda a força contrária à Palavra. Também repreendeu a atuação do mal em cada vida e família.

Começou sua meditação exortando: “não se precipite”. Neste instante do culto ganhei a companhia de um irmão que se dispôs a compartilhar sua bíblia para acompanhar o estudo.

Foi uma meditação sobre 3 atitudes precipitadas de Ezequias que um crente não pode tomar, e 7 chaves para o crente ser suprido por Deus, fazendo com que seus tesouros não sejam roubados. “Temos que tomar cuidado com as coisas que nos são oferecidas por pessoas desconhecidas. Precisamos nos cuidar. [...] Ore pelo o que você come, ore pelo o que você ganha. Tem dia que nem é dia para você comer e sim jejuar”.

ERRO : Aceitou presentes e revelou os seus tesouros.

Disse: Esse é meu tesouro, esse é meu exército, essa é a minha casa.

Não podemos mostrar nossa casa para qualquer um. Só mostre a sua casa à visita quando tiver alta confiança. Precisamos ungir nossa casa, nosso casamento, nossos filhos. Ungir tudo o que Deus nos deu.

(Ouça esse trecho clicando aqui autofalante.jpg)

ERRO: Não discerniu no Espírito. I Cor 2:14.

Quando nos enchemos do E.S. discernimos quem é verdadeiro de quem é falso, quem é espiritual de quem é carnal.

3º ERRO: Não buscou a orientação profética de Isaías.

Esta igreja tem uma liderança profética. Esta igreja tem uma revelação profética. Esta igreja tem uma palavra profética. “Repitam comigo:’esta igreja apostólica tem orientação profética, por isso eu vou caminhando até Jesus voltar’”. É preciso crer na orientação profética.

Durante esta mensagem fiquei sabendo que estão comemorando o ano de Ester. Não consegui entender qual qual implicação disto para o povo.

Discorreu também sobre as atitudes dos crentes para não perderem seus tesouros. Usou versículos aleatórios da bíblia.

Quando estava para encerrar sua meditação, meu vizinho perguntou se eu era Evangélico. Disse que sim e que estava visitando algumas igrejas. Perguntou também se eu gostaria de ir lá na frente. Respondi que não.

A última foi a celebração da Ceia do Senhor. Durante um cântico, alguns irmãos ofertaram os elementos da ceia a todos os presentes. Olhei para o relógio e eram 21h e 03 m, foi o bastante para me despedir do companheiro ao lado e me retirar de fininho.

Mais uma missão cumprida. Até breve, em qualquer espaço cristão.

Saudando com boas vindas o irmão Crecréu, nosso novo correspondente em São Paulo, me despeço.

Irmão Xexéu

6º culto: Igreja Batista da Lapa, São Paulo

Enviado em relatos by irmaocrecreu em Abril 2nd, 2008

No dia 21 de março de 2008, fui à Igreja Batista da Lapa, em São Paulo, assistir a uma cantata de Páscoa. 

   A reunião tinha horário marcado para as 20:00. Cheguei por volta das 20:05. Logo na entrada do templo, um irmão bastante entusiasmado me abordou com a seguinte pergunta: “Você acredita em milagres?” Acho que ele não esperava que eu respondesse porque, antes que eu esboçasse qualquer reação, ele me entregou um pequeno papel onde eu deveria anotar meus pedidos de oração e depositá-los num recipiente, em forma de uma casa, na frente do palco. Peguei o papel e fui me sentar na galeria, no fundo do templo. 

   Depois de alguns instantes, a reunião começou. Havia uma pequena orquestra formada por 3 clarinetes, 5 violinos, 4 saxofones, 4 flautas, 2 trompetes, 2 trombones, bateria e contrabaixo. A música cantada foi “Sou feliz”, com a letra projetada no telão. Chamou-me a atenção o regente da orquestra que, nos intervalos das estrofes e estribilho, suspendia a regência e esperava o pastor entrar já que, o pastor, visivelmente sem qualquer noção de música, atropelava no final das estrofes. Gostei da atitude do regente, pois demonstrou maturidade ao lembrar-se que os músicos estavam ali apenas para acompanhar e não para impôr uma interpretação musical impecável. 

   Atrás de mim, havia uma moça que cantava de forma muito entusiasmada, com uma impostação vocal bastante lírica. No final da música, todos aplaudiram. 

   Seguiu-se uma oração pelas ofertas, que deveriam ser depositadas no gazofilácio. Depois desse momento, o pastor falou sobre os “pedidos impossíveis” que deveriam ser depositados na casinha de oração que, a propósito, representava a família. 

   Depois desse momento, os visitantes foram convidados a se colocarem de pé para serem conhecidos e saudados pelos membros da igreja, enquanto uma mensagem de boas vindas era exibida no telão. Eu me mantive sentado, enquanto os demais visitantes se colocaram de pé e foram cumprimentados. O pastor solicitou que os visitantes continuassem de pé para que fossem identificados pelas pessoas que entregariam um cartão de boas vindas. As pessoas portando os cartões de boas vindas demoraram o tempo suficiente para os visitantes, esquecidos, se sentassem. Quando eu já achava que ninguém apareceria, o pessoal apareceu. E, por uma razão misteriosa, os visitantes que ficaram de pé receberam o cartão, mas eu, não. Não consegui identificar como eles souberam que eu não tinha ficado de pé. Por fim, pedi um cartão e recebi. 

   Enquanto os cartões não vinham, o pastor fez a apresentação do Projeto Família. O culto de sexta-feira, se não me engano, tinha a ver com o projeto. A cantata foi incluída na programação por causa da Páscoa. A apresentação do projeto foi acompanhada de imagens no telão e, no final, foi exibido um clipe de uma música referente ao projeto, se não me equivoco, num estilo quase Cassiane. 

   Na seqüência, deu-se a oração pelos pedidos. Várias pessoas haviam depositado seus pedidos anotados no papel. 

    Logo após, as crianças foram chamadas para a frente, houve uma oração por elas, e elas foram encaminhadas ao culto infantil. Nessa altura, o coral já havia se posicionado no palco, todos de beca, pouco mais de 60 pessoas (mais ou menos 21 sopranos, 18 contraltos, 14 tenores e 11 baixos). Um narrador fez a introdução da cantata, expondo aos presentes o significado da páscoa. 

    A cantata foi apresentada, acompanhada de algumas declamações, narrações, encenações concomitantes e algumas danças. A música era bonita (o primeiro tema era um arranjo era o extraordinário tema “Ó fronte ensangüentada” da Paixão Segundo São Mateus, de Bach). Entretanto, achei a cantata num tom um pouco baixo o que implicou numa interpretação um pouco desmotivada, na minha opinião. Um amigo opinou que a tonalidade poderia ter sido proposital para gerar um clima mais sombrio; faz sentido. A orquestra, que recebeu a adição de um piano de caudas, teve uma sonoridade equilibrada com o coral. O coral soava bem, indicação de um bom preparo vocal. Entretanto, ainda bem que o texto cantado estava sendo projetado no telão porque, muitas vezes, não dava para entender o que eles cantavam. Durante a cantata foram projetadas algumas imagens do filme “Paixão de Cristo” do Mel Gibson. 

    Imediatamente ao término da cantata, me retirei do templo, pois tinha um bom percurso até minha casa. Era pouco depois das 21:30. O irmão empolgadíssimo do início do culto cumprimentou-me discretamente e sem animação, respondendo ao meu discreto cumprimento de cabeça.  

    Ah, o papelzinho que ele me entregou para anotar os pedidos de oração foi utilizado para anotar alguns aspectos da reunião, o que me permitiu escrever esse relato.  

Irmão Crecréu

   - Irmão Crecréu 

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Novo colaborador em São Paulo: irmão Crecréu

Enviado em pela ordem by K-fé em Abril 2nd, 2008

Olá, amigos e amigas,

   A partir de hoje temos um novo colaborador que visita igrejas em São Paulo. É o irmão Crecréu. Seja benvindo, irmão Crecréu.

  - K-fé

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5º culto (Páscoa): Congregação Cristã do Brasil

Enviado em relatos by irmaoxexeu em Março 24th, 2008

Domingo de Páscoa, 23 de março de 2008.

Sr. K-fé,

Desta vez, estou entrando no salão de cultos da Congregação Cristã do Brasil, próximo a uma das estações do metrô, na zona norte, linha dois, no Rio de Janeiro. São 19h e 05m, sou saudado com boas vindas na portaria, subo as escadas e noto que todas as mulheres estão usando véu, e os homens em sua maioria vestidos de terno e gravata. As mulheres de um lado e os homens do outro. Mesmo tentando ser discreto, a minha indumentária contrastou com a do ambiente.

(Ouça a introdução clicando aqui autofalante.jpg)

Sentei-me próximo à porta de entrada lateral, e não fui cumprimentado por ninguém. Somente um senhor ofertou-me um hinário das igrejas das Congregações Cristãs no Brasil.

O dirigente conduzia os louvores, e os irmãos se levantavam sugerindo os hinos a serem cantados. Na parte do meio do salão postavam-se os músicos. Com meu vasto conhecimento instrumental identifiquei violinos, saxofones e um instrumento forte e grave que pareceu-me ser uma “tuba”. Existe isto? Estranhei, pois estes irmãos tocavam de tal forma que a letra dos cânticos se entendia. Também identifiquei melodias em seu hinário, comuns a algumas entoadas por Batistas, Presbiterianos, Metodistas, etc. Só que com outra tradução.

(Ouça parte da música clicando aqui autofalante.jpg)

Seguiu-se um período de comunhão em que todos foram convidados a ajoelharem-se e adorar a Deus. Em todo este tempo ouvi muitos “Glória a Deus”. Em certo instante um irmão começou a orar em voz mais alta e todos outros se acalmaram, e ao término de sua oração exclamaram: “Amém, Glória a Deus”.

O dirigente deu oportunidade para os testemunhos. Após um pequeno recesso, um irmão beirando seus 60 anos narrou a dor no peito que esteve sentindo e que ao procurar o médico na semana anterior, este o tranqüilizou dizendo que não era nada do que havia pensado, e simplesmente pediu-lhe uns exames. Ele agradeceu desde já a atuação de Deus nisto. A congregação contra argumentou: “Glória a Deus”.

Houve também um período de exortação.
(Ouça a exortação sobre o testemunho clicando aqui autofalante.jpg)

O dirigente pediu mais reverência na casa de Deus, a fim de não comprometer a comunhão. Argumentou contra a constante movimentação de crentes no culto em direção aos banheiros. Também falou da conta de água que precisava ser paga nesta semana e que não havia dinheiro disponível para pagá-la. Perguntou aos crentes se queriam ficar sem água na igreja e apelou para as contribuições.
(Ouça sobre o problema da conta d’água clicando aqui autofalante.jpg)

Novamente cantamos um hino, preparando-nos para o momento da revelação de Deus. O dirigente convocou para mais um momento de oração.

Finalmente o dirigente abriu a Bíblia de um lado para o outro e ficou procurando um texto pra sua meditação. Estava meio difícil, até que implorou ajuda para achar aquela passagem em que Jesus disse que derrubaria o templo em três dias. Não demorou muito e achou no Evangelho de João 2:13-22. Falou cerca de 25/30 minutos. Não houve um bom começo, meio, e nem fim. Será que é exigir demais? Citou o V.T. e o N.T. entrelaçados, mas sem muito nexo. Cheguei mesmo a querer que tal período logo terminasse. Fez lá a sua exegese e ao final de cada colocação incentivava a grei a dizer “Glória a Deus”.

Estava bem próximo a saída, e logo após o último hino deixei meu hinário no local disponível e cumprimentei o porteiro, retirando-me mais uma vez de uma igreja sem ser abordado por ninguém.

Foi um culto de um grupo ultra ortodoxo; poucos jovens/adolescentes, com pessoas bem sinceras, mas não muito preocupadas com a presença dos visitantes.

Um abraço,

Irmão Xexéu

Irmão Xexéu

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Sobre o 4º culto: todos querendo ser ricos

Enviado em comentários "oficiais" by irmaoxexeu em Março 18th, 2008

Caro irmão Xexéu,

Não sei se eu devo acreditar na pregação da Comunidade Evangélica Paz e Vida. Por que os carros estacionados eram em sua maioria populares? Se o que eles pregam é de verdade, se Deus faz mesmo o crente prosperar, deveria ter mais BMWs e Mercedes estacionados, em vez de carros populares.

Interessante o pastor ter lido Deuteronômio 15 e ter parado no versículo 6. Os versículos seguintes dizem:

“15 - 7 — Se houver um israelita pobre em qualquer cidade da terra que o SENHOR, nosso Deus, vai dar a vocês, tenham pena dele e o ajudem.

15 - 8 Sejam generosos e emprestem todo o dinheiro que ele precisar.

15 - 9 Se isso acontecer quando estiver perto o sétimo ano, o ano em que as dívidas são perdoadas, talvez você pense em não ajudar o necessitado. Afaste esse mau pensamento e ajude o seu patrício israelita; se não, ele gritará a Deus contra você, e você será culpado de pecado.

15 - 10 Não dê com tristeza no coração, mas seja generoso com ele; assim o SENHOR, nosso Deus, abençoará tudo o que você planejar e tudo o que fizer. “

Em vez de a igreja apregoar que cada um deve se dar bem e acumular riquezas, deveriam pregar e mostrar como ajudar os necessitados e pobres. Que pena que a igreja esqueceu de ler 1 João 3.17,18:

“Se alguém é rico e vê o seu irmão passando necessidade, mas fecha o seu coração para essa pessoa, como pode afirmar que, de fato, ama a Deus? Meus filhinhos, o nosso amor não deve ser somente de palavras e de conversa. Deve ser um amor verdadeiro, que se mostra por meio de ações.”

Madre Teresa de Calcutá

Fico imaginando a Madre Teresa de Calcutá no meio desta congregação dizendo “Hoje acabou a miséria na minha vida”, como mandou o pastor.

Abraços,

K-fé

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4º culto: Comunidade Evangélica Paz e Vida

Enviado em relatos by irmaoxexeu em Fevereiro 17th, 2008

Domingo, 17 de fevereiro de 2008
Prezado K-fé,

Estou de novo entrando num salão de culto, desta vez, atrasado em uma hora, pois a Comunidade Evangélica “Paz e Vida” na zona (suprimido para segurança do autor) da cidade do Rio de Janeiro, inicia suas atividades vespertinas às 18 horas. É um bairro de uma comunidade carente, próximo ao Morro do Juramento. Os carros estacionados eram em sua maioria populares.

( Ouça a introdução clicando aqui. autofalante.jpg)

Encontrei um auditório com aproximadamente 700 pessoas, acomodadas em assentos estofados bem confortáveis. O auditório era mais de pessoas carentes. O assunto da noite foi PROSPERIDADE. Parece ser hoje o carro chefe dos neopentecostais. O pastor baseou-se em Deuteronômio 15:4-6. O orador abordou que Deus não quer pobreza no seu meio. Bem falante, parecendo um “camelô do evangelho” ao orientar a sua mensagem, disse do novo plano econômico de Deus, referendando-se também em Lucas 6:38 e no Salmo 1. Neste plano o agente multiplicador é muito importante. A idéia é que Deus multiplica o que a gente dá. Quanto mais der, mais Deus vai multiplicar. Em dado momento pediu ao auditório para multiplicar: ($1099000,00 + $1099,00 + $999,00) x 0 = $0, logo arrematou, “não adianta pensar alto sem o agente multiplicador”. Disse que no milagre dos pães e peixes o agente multiplicador foi 2 pães e 5 peixes. Imagine uma oferta sua grande hoje então! Segundo ele, Deus tudo vê e o agente multiplicador tem de ser de acordo com a posse de cada um. Um empresário é diferente de um assalariado, que é diferente de um desempregado, que é diferente de uma doméstica. Quem quiser maiores bençãos precisa usar maiores multiplicadores.

Algumas outras pérolas da pregação:

“Deus não quer nenhum de seus filhos sem saber como vai fazer para pagar a prestação do carro”
“Deus não quer ver os seus filhos chegar [sic] no supermercado e ter que pegar o pior”
(clique aqui para ouvir autofalante.jpg)

“Que Deus é esse que ama a prosperidade e se alegra na miséria? Ou Deus ama a prosperidade e aprova a prosperidade, ou ele ama a miséria”
“O Senhor ama a prosperidade”
(clique aqui para ouvir autofalante.jpg)

“Quantos aqui acreditam que Deus ama a prosperidade? Então diga: ‘Hoje acabou a miséria na minha vida’”

(clique aqui para ouvir autofalante.jpg)

“Deus tem um plano econômico para você. Deus criou um plano econômico para Israel, e ele vai criar um plano econômico para o seu povo.”
“Deus fez um plano econômico só para que não houvesse no meio do seu povo uma classe social. [...] Mas ele faz um plano para que não houvesse apenas um tipo de classe social no meio do seu povo. Quer ver? Deuteronômio 20.4. Olha o que está escrito: ‘Somente para que entre ti não haja pobre’. ‘Pastor, Deus não gosta de pobre?’. Deus gosta de pobre, mas ele quer transformar o pobre em rico. Ele quer prosperar a vida do pobre.”

Ao término da explanação, convidou a todos a irem entregar seus dízimos e ofertas. Orou por cada ofertante presente, junto ao altar. Como testemunha ocular, saí 1h e 10m de cerimônia e não fui abordado por ninguém. Um abraço!

Irmão Xexéu

Irmão Xexéu

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Sobre o 3º culto: dormindo Domingo sem sermão pronto

Enviado em comentários "oficiais" by kneca em Janeiro 23rd, 2008
   Gostaria de salientar a cara de pau do Evangelista Pedro Paulo de não se ter preparado devidamente e posto a culpa na falta de inspiração. Todo mundo sério está cansado de saber que a inspiração é 10% que vem: o resto é transpiração. Além disso, é um “deitado”, como diriam os gaúchos: sem ter sermão para pregar, ainda tirou uma sesta longa na tarde do Domingo. O que ele não fez foi estudar, pesquisar, ler… Aliás, como disse o teólogo Karl Barth, o pastor é a pessoa que tem a Bíblia numa mão e o jornal na outra. Atualmente, os pastores não têm nem um nem outro. Pedro Paulo não honrou o nome, que sina! Não estudou como Paulo, nem teve a inspiração de Pedro.
   Ele é vítima do descaso que as igrejas evangélicas atuais têm pela Palavra. Muitos têm dito que estamos precisando de uma nova Reforma: para dar primazia à Palavra de Deus, que é a Bíblia. Toda vez que houve “renovo” na igreja cristã foi em razão direta do estudo da Bíblia e da oração. As igrejas brasileiras, mesmo as que são herdeiras da Reforma (no caso, a metodista é filha de John Wesley, que era anglicano primeiramente) estão perdendo sua identidade e estão todas se igualando às neopentecostais. Me parece que é o caso da visitada pelo irmão Xexéu: tem alguns poucos traços da herança metodista (como leituras responsivas, momento de confissão…), mas a maior parte é cópia xerocada e ruim das neopentecostais.

Ninguém merece 2:30 horas num banco duro ouvindo essa baboseira. 

   Agora, alguém aí pode me explicar o título do cântico “Libertador, filho do homem Deus“? Está se referindo a quem? A Deus? A Jesus? Homem Deus é Jesus. Mas se referir a Deus como Homem Deus, que é isso? Aguardo explicações.
Avante, irmão Xexéu. Sua missão é árdua e nobre!
Irmã K-neca
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3º culto: Igreja Metodista

Enviado em relatos by irmaoxexeu em Janeiro 21st, 2008

Rio de Janeiro, 20 de Janeiro de 2008 

Prezado irmão K-fé, 

Neste domingo de verão no Rio de Janeiro, continuando minha missão, aportei  em uma Igreja Metodista na zona norte desta cidade. A atividade iniciou às 19 horas e era um dia especial de gratidão pelos seminaristas que “passaram de ano” em 2007. Isto é, incluía seminaristas que tinham concluído qualquer fase de estudos em 2007. Ao dirigir-me ao salão de  adoração, recebi um encarte com  a programação da noite. Sentei-me como de costume no último banco, e logo duas visitantes se postaram ao meu lado. Havia no recinto umas duzentas pessoas.

Houve um prelúdio. Uma regente começou a puxar o cântico: “Libertador, filho do Homem Deus” e  em todos os louvores a letra da canção foi projetada ou estava presente no programa impresso.

Os formandos entraram um a um, e se postaram lá na frente. Foi cantado um hino do hinário metodista intitulado “Ao Deus Supremo “. Um grupo de  senhoras  em trajes uniforme começou a dançar coreagraficamente ao som de um cântico da moda muito tocado em nossas FM neopentecostais. ( Eu, Xexéu, tenho dificuldade de me concentrar neste tipo de “mensagem”) Todas as atividades musicais terminavam com as  palmas do auditório.

Após, foi feita a leitura responsiva baseada no Livro de Provérbios, intercalando o dirigente, congregação e formandos. Também tivemos um momento de confissão e arrependimento, seguido do culto da oferta.

Os visitantes foram convidados a ficarem em pé e duas senhoras com um microfone sem fio, iam em suas direções, identificando-os nominalmente e perguntando se eram membros de alguma igreja evangélica. Quando chegou a minha vez, convidaram o marido de uma delas para saudar-me; e não é que o rapaz me identificou pela minha atuação profissional?!

Novamente entoamos louvores. Desta feita cantamos: “A marca de Cristo”, “Unção de ousadia” e “Deus é bom demais”.  Finalmente após 1h e 15m ao Evangelista Pedro Paulo foi dada a oportunidade de trazer a reflexão da noite. Ao assumir o púlpito relatou que orou a semana inteira pedindo uma palavra a Deus para aquela noite, e que durante toda a semana não teve inspiração do alto. Já estava propenso a pedir outro que assumisse o seu lugar, mas que na tarde deste domingo após dormir de 14h às 16h, acordou e Deus colocou em seu interior a inspiração. Baseou seu sermão na “Oração de Jabes” registrada no livro de I Crônicas 4:8 “Jabes foi mais ilustre do que seus irmãos.” Pediu aos irmãos que relatassem o que entediam ser o significado desta expressão na Bíblia. Após ouvir a congregação, deu a sua interpretação pessoal e desafiou-nos a sermos ilustres na vida. Esta reunião teve a duração de 2 horas e 3 minutos. No final, toda a igreja cantou a “Bênção apostólica” e fomos despedidos. Na porta fui saudado pelos pastores, que me convidaram retornar outras vezes.

                 Um abraço, 

Irmão Xexéu
                                               Irmão Xexéu

 PS: Por que os pastores pregam com uma entonação tão diferente da sua fala normal? Este de hoje não falava, berrava.  Será uma técnica de oratória? Eles aprendem isto nos Seminários? Se alguém puder me responder, agradeço.

       Atenciosamente,

            Irmão Xexéu

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Sobre o 2º culto: núcleo evangelístico?

Enviado em comentários "oficiais" by K-fé em Janeiro 20th, 2008

Caro irmão Xexéu,
Foi interessante sua visita ao Núcleo Evangelístico. Estou pensando no “evangelismo” feito pela igreja. Jesus disse “ide, fazei discípulos” aos discípulos (Mateus 28.19). E Jesus disse “vinde a mim” (Mateus 11.28). Mas parece que as igrejas às vezes não vão e gostam de promover o “vinde à igreja”. Talvez tenha sido por isso que eles tão euforicamente bateram palmas ao saber que um visitante tinha conseguido achá-los ali. Aliás, que constrangimento! Depois de você tomar a iniciativa de sair de casa pra entrar num recinto completamente estranho, de estar rodeado de estranhos sem saber ao certo o que acreditavam ainda te mandam ficar de pé pra ser ovado. Como é que se sentiu sendo um estranho entre estranhos? Espero que não tenha sido muito traumático. Mas mesmo que eles tenham a estratégia de se esconder e apostar que os visitantes vão achá-los ali, por que será que tentam afugentar as pessoas com um volume de som tão alto? Será que querem mesmo atrair pessoas? De repente é uma prova de fé. Poderia ser complementada com andar em brasas ou pegar serpentes por exemplo.

Ainda sobre o fato de o núcleo ser evangelístico, me surpreende eles não terem aberto os evangelhos. Nem citado nenhuma história de Jesus. Nem parábolas. Nem deram boas notícias (”evangelho” quer dizer “boas notícias”).

Eu estive pensando a respeito dos tais gafanhotos do Joel. Não sei se interpreto isto literal ou metaforicamente. Se for real, parece que o Joel está ficando meio famoso no Rio de Janeiro. Seus gafanhotos talvez sejam geneticamente modificados para comer dinheiro de crentes. Se esse for o caso não sei se vale à pena me tornar crente. Conforme dizem, ao mesmo tempo em que as comportas dos céus vão se abrir e eu vou ganhar mais “bênção” (entenda-se, dinheiro), esses tais gafanhotos do Joel parecem viver comendo o dinheiro dos fiéis. De repente fica elas por elas: ganho X reais de bênção, mas o gafanhoto como X reais. Se a referida restituição for algo real não seria questão de abrir um processo de classe coletivo contra o Joel? Contudo, se eu for interpretar metaforicamente acho que esse assunto não me interessaria tanto, porque uma restituição metafórica seria por assim dizer “de mentirinha”. Ninguém tá nesse jogo pra perder. No final das contas, pra que serve ser crente se a gente não levar vantagem, né mesmo?

Falando em Malaquias 3, a Bíblia aqui de casa tem no mesmo capítulo no versículo 5 o seguinte: “O SENHOR Todo-Poderoso diz ao seu povo: — Eu virei julgá-los. E darei sem demora o meu testemunho contra todos os que não me respeitam, isto é, os feiticeiros, os adúlteros, os que juram falso, os que exploram os trabalhadores e os que negam os direitos das viúvas, dos órfãos e dos estrangeiros que vivem com vocês.”

Interessante que eu nunca ouvi uma pregação mencionando este versículo. Muito menos explicando-o.

Acho que o pastor estava dando uma indireta pra você fazer uma oferta alta. Porque ele ficou 10 minutos falando sobre a importância de “ofertar”. Você não ficou constrangido uma segunda vez? Pô, acho que você deveria ter pago pelo menos os R$ 5,00 do cover artístico, já que a entrada era sem consumação.

Sobre a música alta, me lembrou das técnicas de tortura dos americanos aplicadas nos prisioneiros de Guantánamo. Música alta e ficar na mesma posição por longos períodos são algumas das técnicas utilizadas pelos americanos, sendo condenadas pelas convenções de Genebra. Me lembro também do filme baseado no livro “1984” de George Orwell. Winston é torturado de várias formas. O’Brien aplica o Duplipensar (duplicidade de pensamentos, sabendo-se que está errado e se convencer que está certo) junto com a administração de dor. Winston chega a dizer que quatro dedos são realmente cinco. O fato de repetirem as músicas como io-iô também pode ser considerado como uma técnica de lavagem cerebral. A pessoa repente tanto uma frase que internaliza a coisa e passa a se tornar verdade. Com certeza é bem mais fácil incutir ensinamentos assim do que visar uma comunidade com uma boa teologia ortoprática.

A respeito do sonho do pastor de um tsunami ameaçando os membros da igreja, segundo a Folha de São Paulo de 9 de Janeiro de 2005 a probabilidade de um tsunami no Brasil é quase zero. O que não me soa bem é o pastor desenhar uma imagem de medo para as pessoas  à toa para depois desmanchar o medo. Interessante que a luz do céu veio na direção dele. Ele deve ser mesmo especial.

Finalmente, parabenizo-o por conseguir agüentar duas horas no culto. Sei que foi difícil, como disse. Não sei como alocaram os acontecimentos ao longo do culto. De qualquer forma parece que foram acontecimentos esparsos ao longo das longas duas horas. Parabéns.

assinado: irmão K-fé

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