Relatos do Irmão Xexéu

Visitando as mais variadas igrejas

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Sobre o 7º culto: prosperidade sim, hospitalidade não

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Irmão Xexéu,

A respeito do culto na Igreja Renascer para Cristo, para que microfone e som alto assim para 30 pessoas?

Entristece-me ver mais uma igreja enfatizando a Teologia da Prosperidade. Permita-me listar alguns versículos sobre o assunto:

Mateus 6.19 “Não ajuntem riquezas aqui na terra, onde as traças e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam.”

Atos dos Apóstolos 20.35 “Em tudo tenho mostrado a vocês que é trabalhando assim que podemos ajudar os necessitados. Lembrem das palavras do Senhor Jesus: ‘É mais feliz quem dá do que quem recebe.’”

I Timóteo 6.8-10

“Portanto, se temos comida e roupas, fiquemos contentes com isso.
Porém os que querem ficar ricos caem em pecado, ao serem tentados, e ficam presos na armadilha de muitos desejos tolos, que fazem mal e levam as pessoas a se afundarem na desgraça e na destruição.
Pois o amor ao dinheiro é uma fonte de todos os tipos de males. E algumas pessoas, por quererem tanto ter dinheiro, se desviaram da fé e encheram a sua vida de sofrimentos.”

Esse conselho de só convidar para entrar em casa quem o crente tiver alta confiança também me incomoda. Deixe-me citar outros versículos.

Mateus 25.43 “Era estrangeiro, e não me receberam na sua casa; estava sem roupa, e não me vestiram. Estava doente e na cadeia, e vocês não cuidaram de mim.” (Deus falando aos que estão debaixo da maldição de Deus, destinados ao fogo eterno. Note a palavra “pois” do versículo 42. “Afastem-se de mim [...]. Vão para o fogo eterno [...] pois [...] não me receberam na sua casa”, etc)

Hebreus 13.1,2 “Continuem a amar uns aos outros como irmãos em Cristo. Não deixem de receber bem aqueles que vêm à casa de vocês; pois alguns que foram hospitaleiros receberam anjos, sem saber.”

Lucas 24.28,29 “Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez como quem ia para mais longe. Mas eles insistiram com ele para que ficasse, dizendo: — Fique conosco porque já é tarde, e a noite vem chegando. Então Jesus entrou para ficar com os dois.” (História do caminho de Emaús, onde os dois homens convidaram o estranho – Jesus – para ficar com eles.)

Outra história bíblica interessante que fala sobre a hospitalidade está em Juízes 19.

O levita vai atrás da noiva na casa dos pais dela, e a convence a voltar pra casa dele. Na viagem no caminho de volta eles não ficam na cidade dos jebuseus justamente para ficar em Gibeá, que era uma cidade do seu povo, os israelitas. Mas havia algo de estranho na cidade

Juízes 19.15 “Aí saíram da estrada para passar a noite na cidade. O levita chegou e se sentou na praça. Mas ninguém o convidou para dormir na sua casa.”

Isso já é um mau sinal. Naquela época não havia hotel como hoje. Era costume dos israelitas justamente hospedar os viajantes que estivessem na praça. O final da história é trágico. Um velho passa pela praça e os recebe em casa. À noite vêm os homens da cidade batendo na porta do velho ameaçando pegar o levita para ter relações com ele. Então o levita pôs a sua esposa para fora de casa. Os homens a forçaram e a abusaram sexualmente a noite toda, deixando-a morta de manhã na frente de casa.

Pesquisa de opinião pública: se o casal Hernandes, atualmente presos na Flórida por mentir à aduana americana sobre a quantidade de dólares que tinham, pedisse para ser hospedado na sua casa, vocês teria malta confiança neles e os hospedariam?

Abraços,

K-fé

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Escrito por K-fé

03/05/2008 em 20:29

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Sobre o 4º culto: todos querendo ser ricos

sem comentários

Caro irmão Xexéu,

Não sei se eu devo acreditar na pregação da Comunidade Evangélica Paz e Vida. Por que os carros estacionados eram em sua maioria populares? Se o que eles pregam é de verdade, se Deus faz mesmo o crente prosperar, deveria ter mais BMWs e Mercedes estacionados, em vez de carros populares.

Interessante o pastor ter lido Deuteronômio 15 e ter parado no versículo 6. Os versículos seguintes dizem:

“15 – 7 — Se houver um israelita pobre em qualquer cidade da terra que o SENHOR, nosso Deus, vai dar a vocês, tenham pena dele e o ajudem.

15 – 8 Sejam generosos e emprestem todo o dinheiro que ele precisar.

15 – 9 Se isso acontecer quando estiver perto o sétimo ano, o ano em que as dívidas são perdoadas, talvez você pense em não ajudar o necessitado. Afaste esse mau pensamento e ajude o seu patrício israelita; se não, ele gritará a Deus contra você, e você será culpado de pecado.

15 – 10 Não dê com tristeza no coração, mas seja generoso com ele; assim o SENHOR, nosso Deus, abençoará tudo o que você planejar e tudo o que fizer. “

Em vez de a igreja apregoar que cada um deve se dar bem e acumular riquezas, deveriam pregar e mostrar como ajudar os necessitados e pobres. Que pena que a igreja esqueceu de ler 1 João 3.17,18:

“Se alguém é rico e vê o seu irmão passando necessidade, mas fecha o seu coração para essa pessoa, como pode afirmar que, de fato, ama a Deus? Meus filhinhos, o nosso amor não deve ser somente de palavras e de conversa. Deve ser um amor verdadeiro, que se mostra por meio de ações.”

Madre Teresa de Calcutá

Fico imaginando a Madre Teresa de Calcutá no meio desta congregação dizendo “Hoje acabou a miséria na minha vida”, como mandou o pastor.

Abraços,

K-fé

Escrito por irmaoxexeu

18/03/2008 em 10:28

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Sobre o 3º culto: dormindo Domingo sem sermão pronto

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   Gostaria de salientar a cara de pau do Evangelista Pedro Paulo de não se ter preparado devidamente e posto a culpa na falta de inspiração. Todo mundo sério está cansado de saber que a inspiração é 10% que vem: o resto é transpiração. Além disso, é um “deitado”, como diriam os gaúchos: sem ter sermão para pregar, ainda tirou uma sesta longa na tarde do Domingo. O que ele não fez foi estudar, pesquisar, ler… Aliás, como disse o teólogo Karl Barth, o pastor é a pessoa que tem a Bíblia numa mão e o jornal na outra. Atualmente, os pastores não têm nem um nem outro. Pedro Paulo não honrou o nome, que sina! Não estudou como Paulo, nem teve a inspiração de Pedro.
   Ele é vítima do descaso que as igrejas evangélicas atuais têm pela Palavra. Muitos têm dito que estamos precisando de uma nova Reforma: para dar primazia à Palavra de Deus, que é a Bíblia. Toda vez que houve “renovo” na igreja cristã foi em razão direta do estudo da Bíblia e da oração. As igrejas brasileiras, mesmo as que são herdeiras da Reforma (no caso, a metodista é filha de John Wesley, que era anglicano primeiramente) estão perdendo sua identidade e estão todas se igualando às neopentecostais. Me parece que é o caso da visitada pelo irmão Xexéu: tem alguns poucos traços da herança metodista (como leituras responsivas, momento de confissão…), mas a maior parte é cópia xerocada e ruim das neopentecostais.

Ninguém merece 2:30 horas num banco duro ouvindo essa baboseira. 

   Agora, alguém aí pode me explicar o título do cântico “Libertador, filho do homem Deus“? Está se referindo a quem? A Deus? A Jesus? Homem Deus é Jesus. Mas se referir a Deus como Homem Deus, que é isso? Aguardo explicações.
Avante, irmão Xexéu. Sua missão é árdua e nobre!
Irmã K-neca

Escrito por kneca

23/01/2008 em 9:49

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Sobre o 2º culto: núcleo evangelístico?

com um comentário

Caro irmão Xexéu,
Foi interessante sua visita ao Núcleo Evangelístico. Estou pensando no “evangelismo” feito pela igreja. Jesus disse “ide, fazei discípulos” aos discípulos (Mateus 28.19). E Jesus disse “vinde a mim” (Mateus 11.28). Mas parece que as igrejas às vezes não vão e gostam de promover o “vinde à igreja”. Talvez tenha sido por isso que eles tão euforicamente bateram palmas ao saber que um visitante tinha conseguido achá-los ali. Aliás, que constrangimento! Depois de você tomar a iniciativa de sair de casa pra entrar num recinto completamente estranho, de estar rodeado de estranhos sem saber ao certo o que acreditavam ainda te mandam ficar de pé pra ser ovado. Como é que se sentiu sendo um estranho entre estranhos? Espero que não tenha sido muito traumático. Mas mesmo que eles tenham a estratégia de se esconder e apostar que os visitantes vão achá-los ali, por que será que tentam afugentar as pessoas com um volume de som tão alto? Será que querem mesmo atrair pessoas? De repente é uma prova de fé. Poderia ser complementada com andar em brasas ou pegar serpentes por exemplo.

Ainda sobre o fato de o núcleo ser evangelístico, me surpreende eles não terem aberto os evangelhos. Nem citado nenhuma história de Jesus. Nem parábolas. Nem deram boas notícias (“evangelho” quer dizer “boas notícias”).

Eu estive pensando a respeito dos tais gafanhotos do Joel. Não sei se interpreto isto literal ou metaforicamente. Se for real, parece que o Joel está ficando meio famoso no Rio de Janeiro. Seus gafanhotos talvez sejam geneticamente modificados para comer dinheiro de crentes. Se esse for o caso não sei se vale à pena me tornar crente. Conforme dizem, ao mesmo tempo em que as comportas dos céus vão se abrir e eu vou ganhar mais “bênção” (entenda-se, dinheiro), esses tais gafanhotos do Joel parecem viver comendo o dinheiro dos fiéis. De repente fica elas por elas: ganho X reais de bênção, mas o gafanhoto como X reais. Se a referida restituição for algo real não seria questão de abrir um processo de classe coletivo contra o Joel? Contudo, se eu for interpretar metaforicamente acho que esse assunto não me interessaria tanto, porque uma restituição metafórica seria por assim dizer “de mentirinha”. Ninguém tá nesse jogo pra perder. No final das contas, pra que serve ser crente se a gente não levar vantagem, né mesmo?

Falando em Malaquias 3, a Bíblia aqui de casa tem no mesmo capítulo no versículo 5 o seguinte: “O SENHOR Todo-Poderoso diz ao seu povo: — Eu virei julgá-los. E darei sem demora o meu testemunho contra todos os que não me respeitam, isto é, os feiticeiros, os adúlteros, os que juram falso, os que exploram os trabalhadores e os que negam os direitos das viúvas, dos órfãos e dos estrangeiros que vivem com vocês.”

Interessante que eu nunca ouvi uma pregação mencionando este versículo. Muito menos explicando-o.

Acho que o pastor estava dando uma indireta pra você fazer uma oferta alta. Porque ele ficou 10 minutos falando sobre a importância de “ofertar”. Você não ficou constrangido uma segunda vez? Pô, acho que você deveria ter pago pelo menos os R$ 5,00 do cover artístico, já que a entrada era sem consumação.

Sobre a música alta, me lembrou das técnicas de tortura dos americanos aplicadas nos prisioneiros de Guantánamo. Música alta e ficar na mesma posição por longos períodos são algumas das técnicas utilizadas pelos americanos, sendo condenadas pelas convenções de Genebra. Me lembro também do filme baseado no livro “1984” de George Orwell. Winston é torturado de várias formas. O’Brien aplica o Duplipensar (duplicidade de pensamentos, sabendo-se que está errado e se convencer que está certo) junto com a administração de dor. Winston chega a dizer que quatro dedos são realmente cinco. O fato de repetirem as músicas como io-iô também pode ser considerado como uma técnica de lavagem cerebral. A pessoa repente tanto uma frase que internaliza a coisa e passa a se tornar verdade. Com certeza é bem mais fácil incutir ensinamentos assim do que visar uma comunidade com uma boa teologia ortoprática.

A respeito do sonho do pastor de um tsunami ameaçando os membros da igreja, segundo a Folha de São Paulo de 9 de Janeiro de 2005 a probabilidade de um tsunami no Brasil é quase zero. O que não me soa bem é o pastor desenhar uma imagem de medo para as pessoas  à toa para depois desmanchar o medo. Interessante que a luz do céu veio na direção dele. Ele deve ser mesmo especial.

Finalmente, parabenizo-o por conseguir agüentar duas horas no culto. Sei que foi difícil, como disse. Não sei como alocaram os acontecimentos ao longo do culto. De qualquer forma parece que foram acontecimentos esparsos ao longo das longas duas horas. Parabéns.

assinado: irmão K-fé

Escrito por K-fé

20/01/2008 em 22:46

Sobre o 2º culto: missão é missão!

com 2 comentários

Irmão Xexéu,

A sua experiência ao visitar mais uma de “nossas agências” deve ter sido penosa mesmo, já que lá pelas tantas o senhor até queria se retirar do recinto. Admiro sua missão. Como falou, o senhor é um missionário, talvez não ordenado ordinariamente, com aquela empáfia toda, mãos sobre a cabeça, etc, mas é um missionário altruísta, humilde e recatado. Altuísta, pois deixa sua casa, sua família, seu conforto para ir ao encalce de tão bizarra experiência. Humilde, pois, analisando seus relatórios, vejo que é um homem informado. Seu Português e suas considerações demonstram cabal conhecimnento da língua portuguesa, mas, nem por isso, se deixa abater ao ouvir tanta palha. Recatado, pois senta-se, como disse, na última fileira de bancos. Também não dá relatórios fantasiosos, como algumas vezes a gente ouve de outros missionários, que, na empolgação da fala, acrescentam um conto ao conto. É realista, exato e detalhista.

Quanto ao problema do som em alto volume, sugiro que compre um tampão de ouvidos.

Não sei se K-fé vai aprovar, mas poderíamos dar alguma contribuição para a sua gasolina ou ao seu sapato. Fica, então, o apelo para que outras pessoas se engajem nessa “missão’ sustentadora das “cordas”, enquanto nosso missionário prossegue em sua missão.

Irmã K-neca

Escrito por kneca

16/01/2008 em 23:56

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Sobre o 1° culto na Igreja Internacional da Graça de Deus

com 12 comentários

Caro irmão Xexéu,
Achei estranhas as práticas desta congregação da Igreja Internacional da Graça de Deus que você visitou. Trigo e outros artefatos até poderiam de certa forma introduzir arte no ambiente, enriquecendo o culto. Mas esse não foi o caso. Parece que atribuem certos poderes mágicos aos objetos. Isso me lembra a luta da Reforma Protestante contra as indulgências da Igreja Católica. As indulgências eram não só um meio de a igreja tirar dinheiro das pessoas, mas também um meio de “desviar” a fé pessoal no Criador para os objetos. Apelando para a superstição das pessoas, esses objetos propõem uma fé fácil e, em última instância, falsa. Como disse Jesus a Tomé, ” Porque me viste, creste? Felizes os que não viram e creram” (João 20:29).
Sobre a veste sacerdotal dos pastores, achei isso também estranho. A Reforma Protestante foi a favor do sacerdócio universal e do relacionamento direto entre o crente e Deus. Como diz 1 Timóteo 2:5, ” Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”. E todos nós sabemos que no dia de hoje a imagem fala muito (o marketing é a alma do negócio!). As roupas são um símbolo. As roupas falam que os pastores são especiais, crentes ‘mais crentes’ e ‘mais santos’ que os crentes comuns. Isto é lastimável. Principalmente em tempos de tanta desigualdade social no Brasil. As pessoas não precisam de imagens de super-heróis. Precisam ser relembradas da imagem de Jesus lavando os pés dos discípulos (João 13). Precisam ler passagens como a de Mateus 20:25-27:
“Jesus, pois, chamou-os para junto de si e lhes disse: Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles. ão será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo;  “
É estranho este “evangelho da prosperidade” que deixa de lado estas histórias de Jesus.
Irmão Xexéu, espero que tenha mais sorte na próxima igreja.

Um abraço,

K-fé

Escrito por K-fé

28/12/2007 em 12:39