Relatos do Irmão Xexéu

Visitando as mais variadas igrejas

Posts Tagueados ‘Assembléia de Deus

9º culto: Assembléia de Deus, Ministério de Madureira, Campo do Brás, São Paulo

sem comentários

Amigos e amigas,
    O relato de hoje nos chega de um irmão anônimo. Documentamos aqui seu relatório, de fonte fidedigna.

““As palavras do falso profeta e os ouvidos comichosos das pessoas estão em
sincronia” Erwin W. Lutzer

Eu acabei de chegar da sede do Brás Depois do que vi e presenciei nesta noite neste “culto” se é que se pode chamar assim, não pretendo mais voltar ali tão cedo.

Foi demais para um pesquisador como eu que lido com modismos e sempre procuro estar atualizado nesta área ter que ver o que vi. Decidi ficar, depois que observei as roupas de um tal Pr. Arlindo Teodoro – presidente do campo de Vitoria-ES – de Madureira. O tal Arlindo ministraria com um ‘terno” branco e demais peças de roupas em branco com exceção do sapato e camisa, para destacar sua gravata branca – qualquer semelhança com Benny Hinn é apenas coincidência . Uma campanha em plena terça, onde os cristãos do campo e  pastores deveriam estar aprendendo a Bíblia em um culto de ensino, mas afinal para que estudar a Bíblia não é mesmo?

O tal Arlindo que se intitulava amigo do pastor presidente Samuel Ferreira, trouxe a Palavra de Deus misturada com a “Confissão Positiva”, mas algumas frases me chamaram atenção:

“ A razão nos rouba a nossa fé”

“quantas bênçãos nós perdemos devido a razão”

“Nós materializamos nossos problemas, e não devemos fazer isto”.

Sua mensagem da “Confissão Positiva” misturada com a ortodoxia me faz pensar de como a verdade mistura com o erro é mais mortal que o erro propriamente dito. Os crentes naquele templo glorificaram, levantaram as mãos, e fizeram todos os gestos de confirmação à mensagem que aquele lobo ministrava, comprovando mais uma vez que os evangélicos deste campo jamais serão íntegros Biblicamente novamente, pois todos os pequenos efeitos da verdade e da ortodoxia estão minguando de vez, neste setor.

Mas o pior estava para vir, depois de sua capciosa mensagem o senhor Arlindo, e o chamo assim pois não tenho condições de chamá-lo de pastor – pois afinal um pastor não faz aquilo – convida os assembleianos a comprar uma replica da arca do concerto em miniatura por apenas dois mil reais, e eram 10 arcas. Havia outras dez menores, por apenas R$ 1000,00, e ao redor de todo o púlpito do Brás estavam pequenas arcas, por apenas R$ 50,00. Ele conseguiu vender todas as dez arcas de R$ 2000,00 e todas as de R$ 1000,00, também. Mas  qual foi a técnica de vender estas arcas, se afinal você pode conseguir iguais na Conde de Sarzedas por uns R$ 200,00?

O segredo estava em que o pilantra chamado Arlindo Teodoro disse. Ele afirmava através de testemunhos que aquelas arcas “ungidas” traziam bênçãos financeiras e uma imensa “paz” ao detentor que a comprasse. Então para garantir a venda das mesmas usou outro golpe para iludir os incautos. Apresentou em vídeo na igreja um pequeno filme em que crianças na África estavam sendo beneficiadas através de uma pequena casa onde abrigavam filhos órfãos de pais que morreram devido a AIDS. Então já viu, né, o povão ficou sensibilizado com aquela obra de amor do senhor Arlindo e não restava nenhuma duvida sobre como aquele dinheiro estava sendo investido, tenho que admitir que foi muito convincente para a platéia, afinal é assim que os lobos arrancam a Lã das ovelhas.

Vendeu todas as arcas grandes no total de 20, mas ainda havia ficado as inúmeras pequenas arcas ao redor do púlpito, e o que fazer, afinal parecia que o povo estava em cima do muro, sobre aquele assunto, afinal quantos assembleianos tinham presenciado um culto das arcas ungidas na vida?

Mas como garantir que aqueles que levaram a arca iriam pagar os dois mil, não existiam comprovantes das pessoas que adquiriram tal arca ‘ungida” e nem era anotado seus endereços. O senhor Arlindo ficou tranqüilo pois afinal sua maldição estava para vir! Dizia o tal Arlindo que a pessoa que pegou a arca ungida não deveria em hipótese nenhuma deixar de pagá-la, pois da mesma forma que a arca foi abençoada por Deus, ela seria um instrumento de maldição para aquele que deixasse se sacar os dois mil reais pela tal arca. Ou seja, era um amuleto que traria muita paz mas que deixá-lo de pagar de tornaria um instrumento de maldição divina, é mole ou quer mais!!!!!

Então entrou em cena o tal do pastor Samuel e sem nenhuma humildade falou que era um homem bem sucedido e que há havia chegado aos 42 anos no topo da vida, como presidente do maior ministério do Brasil (sim, ele disse isto), tinha aviões, helicópteros, empresa, era um homem rico e para onde ir mais? Mas se gabou de receber um convite de estar juntamente com a família no ano que vem em um transatlântico luxuoso em um evento teológico e que aqueles que o convidaram lhe informaram que não precisaria gastar nenhum tostão, tudo pago pelo evento. E em um brado de alegria disse ao Arlindo e aos assembleanos, se Deus estava com ele ou não??!!!! E o povão se alegrou.

Então ele informou ao povo que estava comprando pelo menos três arcas de R$ 2000,00, uma para colocar no quarto, outra na empresa e outra não sei onde. E que ao possuir aquelas arcas queria muita paz, pois elas lhe proporcionariam esta paz tão desejada, pois afinal eram especiais, e ele afirmou: “Gente eu creio nisso, eu creio nestas coisas”. Não é preciso dizer que ao convidar os coitados dos assembleanos para comprarem suas pequenas arcas de R$ 50,00 reais, quase que toda a igreja foi a frente, fazendo com que o senhor Arlindo ficasse com os bolsos cheios e quem sabe “os africanos também”.

O senhor Arlindo antes de orar pelo enfermos naquela noite ainda teve a capacidade de “profetizar” ao Samuca que ele vai ser um pastor muito conhecido no mundo e que muitos deste planeta virão à sede do Brás para ver o que Deus está fazendo. E ainda na ousadia de suas “profetadas” informou aos inocentes daquela noite que havia um pastor que estava querendo comprar mais uma das “arca ungidas” e colocar em sua congregação para trazer paz entre o ministério e na sua igreja mas que estava sem coragem de fazê-lo. Mas que viesse a frente pois a paz reinaria ao comprar aquela peça miraculosa, onde aquele infeliz não resistiu e levou mais uma por apenas dois mil reais e assim mais um talismã ungido foi vendido, mas afinal era somente dois mil, uma pechincha, não é mesmo!

Confesso que depois de mais de quinze anos de jornadas nunca pensei em ver estas cenas em uma igreja histórica, fundada por homens sérios como o Pr Daniel Berg e Pr Gunnar Vingren. Certamente eles ficariam de cabelos em pé se pudessem ver o que se transformou uma das Assembléias de Deus no Brasil. Será que depois de tudo isto ainda poderei ficar em um ministério assim? Acredito que conhecedor do Deus da Bíblia e de seu evangelho, sinto que estarei cometendo pecado se continuar em uma igreja como esta, que se tornou uma Babilônia – morada de demônios. Será que hoje o ministério de Madureira do campo do Brás poderia falar contra as indulgências praticadas na Idade Media pela igreja católica romana?

Tive que sair antes de terminar aquele indigesto culto e ao sair pelas portas laterais orei de joelhos nas escadas daquele templo, pedindo a Deus que estas pessoas se convertam de seus maus caminhos e que o Senhor possa livrar este ministério das heresias que o arruinaram. Passou por mim uma pessoa que não sei quem foi pois não levantei a cabeça, para ver mas permanecendo de joelhos orei ao Senhor.

Preciso velar pela minha vida espiritual e por minha família, a palavra que o anjo disse a Ló, ressoa em meus ouvidos:

“Escapa-te por tua própria vida”. Preciso orar mais sobre minha retirada deste setor, pois esta insuportável permanecer nesta babilônia. Não posso ser conivente com estas horrendas coisas. Oreis por mim meu amigo, para que o Senhor possa me ajudar a congregar em um lugar onde ainda se ouve a Palavra de Deus.

Um pastor que ama a verdade no campo do Brás

18.08.09

Escrito por K-fé

20/08/2009 em 22:18

Publicado em relatos

Etiquetado com , ,

Sobre o 2º culto: núcleo evangelístico?

com um comentário

Caro irmão Xexéu,
Foi interessante sua visita ao Núcleo Evangelístico. Estou pensando no “evangelismo” feito pela igreja. Jesus disse “ide, fazei discípulos” aos discípulos (Mateus 28.19). E Jesus disse “vinde a mim” (Mateus 11.28). Mas parece que as igrejas às vezes não vão e gostam de promover o “vinde à igreja”. Talvez tenha sido por isso que eles tão euforicamente bateram palmas ao saber que um visitante tinha conseguido achá-los ali. Aliás, que constrangimento! Depois de você tomar a iniciativa de sair de casa pra entrar num recinto completamente estranho, de estar rodeado de estranhos sem saber ao certo o que acreditavam ainda te mandam ficar de pé pra ser ovado. Como é que se sentiu sendo um estranho entre estranhos? Espero que não tenha sido muito traumático. Mas mesmo que eles tenham a estratégia de se esconder e apostar que os visitantes vão achá-los ali, por que será que tentam afugentar as pessoas com um volume de som tão alto? Será que querem mesmo atrair pessoas? De repente é uma prova de fé. Poderia ser complementada com andar em brasas ou pegar serpentes por exemplo.

Ainda sobre o fato de o núcleo ser evangelístico, me surpreende eles não terem aberto os evangelhos. Nem citado nenhuma história de Jesus. Nem parábolas. Nem deram boas notícias (“evangelho” quer dizer “boas notícias”).

Eu estive pensando a respeito dos tais gafanhotos do Joel. Não sei se interpreto isto literal ou metaforicamente. Se for real, parece que o Joel está ficando meio famoso no Rio de Janeiro. Seus gafanhotos talvez sejam geneticamente modificados para comer dinheiro de crentes. Se esse for o caso não sei se vale à pena me tornar crente. Conforme dizem, ao mesmo tempo em que as comportas dos céus vão se abrir e eu vou ganhar mais “bênção” (entenda-se, dinheiro), esses tais gafanhotos do Joel parecem viver comendo o dinheiro dos fiéis. De repente fica elas por elas: ganho X reais de bênção, mas o gafanhoto como X reais. Se a referida restituição for algo real não seria questão de abrir um processo de classe coletivo contra o Joel? Contudo, se eu for interpretar metaforicamente acho que esse assunto não me interessaria tanto, porque uma restituição metafórica seria por assim dizer “de mentirinha”. Ninguém tá nesse jogo pra perder. No final das contas, pra que serve ser crente se a gente não levar vantagem, né mesmo?

Falando em Malaquias 3, a Bíblia aqui de casa tem no mesmo capítulo no versículo 5 o seguinte: “O SENHOR Todo-Poderoso diz ao seu povo: — Eu virei julgá-los. E darei sem demora o meu testemunho contra todos os que não me respeitam, isto é, os feiticeiros, os adúlteros, os que juram falso, os que exploram os trabalhadores e os que negam os direitos das viúvas, dos órfãos e dos estrangeiros que vivem com vocês.”

Interessante que eu nunca ouvi uma pregação mencionando este versículo. Muito menos explicando-o.

Acho que o pastor estava dando uma indireta pra você fazer uma oferta alta. Porque ele ficou 10 minutos falando sobre a importância de “ofertar”. Você não ficou constrangido uma segunda vez? Pô, acho que você deveria ter pago pelo menos os R$ 5,00 do cover artístico, já que a entrada era sem consumação.

Sobre a música alta, me lembrou das técnicas de tortura dos americanos aplicadas nos prisioneiros de Guantánamo. Música alta e ficar na mesma posição por longos períodos são algumas das técnicas utilizadas pelos americanos, sendo condenadas pelas convenções de Genebra. Me lembro também do filme baseado no livro “1984” de George Orwell. Winston é torturado de várias formas. O’Brien aplica o Duplipensar (duplicidade de pensamentos, sabendo-se que está errado e se convencer que está certo) junto com a administração de dor. Winston chega a dizer que quatro dedos são realmente cinco. O fato de repetirem as músicas como io-iô também pode ser considerado como uma técnica de lavagem cerebral. A pessoa repente tanto uma frase que internaliza a coisa e passa a se tornar verdade. Com certeza é bem mais fácil incutir ensinamentos assim do que visar uma comunidade com uma boa teologia ortoprática.

A respeito do sonho do pastor de um tsunami ameaçando os membros da igreja, segundo a Folha de São Paulo de 9 de Janeiro de 2005 a probabilidade de um tsunami no Brasil é quase zero. O que não me soa bem é o pastor desenhar uma imagem de medo para as pessoas  à toa para depois desmanchar o medo. Interessante que a luz do céu veio na direção dele. Ele deve ser mesmo especial.

Finalmente, parabenizo-o por conseguir agüentar duas horas no culto. Sei que foi difícil, como disse. Não sei como alocaram os acontecimentos ao longo do culto. De qualquer forma parece que foram acontecimentos esparsos ao longo das longas duas horas. Parabéns.

assinado: irmão K-fé

Escrito por K-fé

20/01/2008 em 22:46

2º culto: Núcleo Evangelístico da Assembléia de Deus

com um comentário

Rio de Janeiro, 13 de janeiro de 2008.

Prezado irmão K-fé,

Novamente tive a oportunidade de visitar uma nova igreja. Desta feita, estive no Núcleo Evangelístico da Assembléia de Deus da ****, situada no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro. Ao me dirigir ao salão de culto, recebi boas-vindas do introdutor. Como de costume sentei-me no último banco próximo a duas senhoras que me saudaram com a “Paz do Senhor”.
Era pouco mais das 19 horas, e começou o “louvor”. Não consegui distinguir o que cantavam pois o baterista estava num dia de mão pesada, o local era pequeno, e não havia nenhum tipo de projeção ou papel com a letra dos cânticos. Havia no recinto cerca de 19 a 23 pessoas, contando com o pastor e seu auxiliar junto ao púlpito. Apesar de haver relativamente poucas pessoas, eles ainda tinham amplificação com várias caixas de som.
De repente o introdutor-mor me abordou perguntando se eu era membro de alguma igreja. Respondi que fazia parte de uma igreja cristã próximo a região e que estava visitando algumas igrejas. Anotou meu nome num pedaço de papel. Após o louvor, o dirigente informou a minha visita, pediu para eu ficar em pé e fui aplaudido por toda grei.
Houve a leitura bíblica de Romanos 8:31-39 e logo a seguir anunciou-se a programação da semana. Foi muito destacada a continuação da campanha da “restituição” com a presença do Irmão Jean. Pelo que entendi a
campanha da restituição era para estimular os crentes a ter a restituição daquilo que o gafanhoto do livro de Joel consumiu.
Logo após, houve o culto da oferta quando todos os presentes receberam um envelope branco com os dizeres: “oferta de amor” e Malaquias 3:10. O pastor aproveitou a oportunidade e falou cerca de 10 minutos sobre a fidelidade e a importância de se ofertar.
Novamente, outro período de “louvor” e então o baterista passou a baqueta para a sua irmã e se apossou da guitarra. Não é que o problema de altura de som continuou? Com muito esforço consegui identificar um cântico “Eu vejo a glória do Senhor hoje aqui, vou louvando e sinto o Senhor me tocar” Neste instante minha vontade era de me encaminhar lá pra fora, mas confesso que resisti. Missão é missão! Sou um missionário!
O pastor contou do sonho que teve. Neste sonho, estava numa praia junto da família e com alguns membros da igreja, quando começou a se formar uma onda gigante tipo “tsunami”. Então após um momento de apreensão em que sentiu que todos seriam tragados, fechou os olhos e quando abriu viu uma forte luz dos altos céus na sua direção e quando se deu por si, a onda se desfez e o mar se acalmou. A congregação começou a gritar “Glória a Deus” , “Aleluia”!… Aproveitou o momento e falou da importância de estar protegido por Deus. Então pediu a todos que cantassem o cântico: “Jesus” e então orientou que os instrumentistas tocassem bem suave. Emendaram com “Só tua graça me basta” que foi entoado como um io-iô, indo e voltando sem fim.
Foi chamada ao púlpito para pregar a esposa do pastor como a “mensageira da noite”. As irmãs do banco da frente me ofereceram uma bíblia para acompanhar a leitura do Salmo 121. Falou bem simples e objetivamente sobre o cuidado de Deus para conosco.
Cantaram a bênção apostólica e após duas horas, fomos despedidos.
Saí, sem ser notado.
Sem mais, despeço-me, com um grande abraço.

Irmão Xexéu
Irmão XEXÉU.

Escrito por irmaoxexeu

13/01/2008 em 23:40

Publicado em relatos

Etiquetado com ,