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Sobre o 3º culto: dormindo Domingo sem sermão pronto
Sobre o 2º culto: núcleo evangelístico?
Caro irmão Xexéu,
Foi interessante sua visita ao Núcleo Evangelístico. Estou pensando no “evangelismo” feito pela igreja. Jesus disse “ide, fazei discípulos” aos discípulos (Mateus 28.19). E Jesus disse “vinde a mim” (Mateus 11.28). Mas parece que as igrejas às vezes não vão e gostam de promover o “vinde à igreja”. Talvez tenha sido por isso que eles tão euforicamente bateram palmas ao saber que um visitante tinha conseguido achá-los ali. Aliás, que constrangimento! Depois de você tomar a iniciativa de sair de casa pra entrar num recinto completamente estranho, de estar rodeado de estranhos sem saber ao certo o que acreditavam ainda te mandam ficar de pé pra ser ovado. Como é que se sentiu sendo um estranho entre estranhos? Espero que não tenha sido muito traumático. Mas mesmo que eles tenham a estratégia de se esconder e apostar que os visitantes vão achá-los ali, por que será que tentam afugentar as pessoas com um volume de som tão alto? Será que querem mesmo atrair pessoas? De repente é uma prova de fé. Poderia ser complementada com andar em brasas ou pegar serpentes por exemplo.
Ainda sobre o fato de o núcleo ser evangelístico, me surpreende eles não terem aberto os evangelhos. Nem citado nenhuma história de Jesus. Nem parábolas. Nem deram boas notícias (“evangelho” quer dizer “boas notícias”).
Eu estive pensando a respeito dos tais gafanhotos do Joel. Não sei se interpreto isto literal ou metaforicamente. Se for real, parece que o Joel está ficando meio famoso no Rio de Janeiro. Seus gafanhotos talvez sejam geneticamente modificados para comer dinheiro de crentes. Se esse for o caso não sei se vale à pena me tornar crente. Conforme dizem, ao mesmo tempo em que as comportas dos céus vão se abrir e eu vou ganhar mais “bênção” (entenda-se, dinheiro), esses tais gafanhotos do Joel parecem viver comendo o dinheiro dos fiéis. De repente fica elas por elas: ganho X reais de bênção, mas o gafanhoto como X reais. Se a referida restituição for algo real não seria questão de abrir um processo de classe coletivo contra o Joel? Contudo, se eu for interpretar metaforicamente acho que esse assunto não me interessaria tanto, porque uma restituição metafórica seria por assim dizer “de mentirinha”. Ninguém tá nesse jogo pra perder. No final das contas, pra que serve ser crente se a gente não levar vantagem, né mesmo?
Falando em Malaquias 3, a Bíblia aqui de casa tem no mesmo capítulo no versículo 5 o seguinte: “O SENHOR Todo-Poderoso diz ao seu povo: — Eu virei julgá-los. E darei sem demora o meu testemunho contra todos os que não me respeitam, isto é, os feiticeiros, os adúlteros, os que juram falso, os que exploram os trabalhadores e os que negam os direitos das viúvas, dos órfãos e dos estrangeiros que vivem com vocês.”
Interessante que eu nunca ouvi uma pregação mencionando este versículo. Muito menos explicando-o.
Acho que o pastor estava dando uma indireta pra você fazer uma oferta alta. Porque ele ficou 10 minutos falando sobre a importância de “ofertar”. Você não ficou constrangido uma segunda vez? Pô, acho que você deveria ter pago pelo menos os R$ 5,00 do cover artístico, já que a entrada era sem consumação.
Sobre a música alta, me lembrou das técnicas de tortura dos americanos aplicadas nos prisioneiros de Guantánamo. Música alta e ficar na mesma posição por longos períodos são algumas das técnicas utilizadas pelos americanos, sendo condenadas pelas convenções de Genebra. Me lembro também do filme baseado no livro “1984” de George Orwell. Winston é torturado de várias formas. O’Brien aplica o Duplipensar (duplicidade de pensamentos, sabendo-se que está errado e se convencer que está certo) junto com a administração de dor. Winston chega a dizer que quatro dedos são realmente cinco. O fato de repetirem as músicas como io-iô também pode ser considerado como uma técnica de lavagem cerebral. A pessoa repente tanto uma frase que internaliza a coisa e passa a se tornar verdade. Com certeza é bem mais fácil incutir ensinamentos assim do que visar uma comunidade com uma boa teologia ortoprática.
A respeito do sonho do pastor de um tsunami ameaçando os membros da igreja, segundo a Folha de São Paulo de 9 de Janeiro de 2005 a probabilidade de um tsunami no Brasil é quase zero. O que não me soa bem é o pastor desenhar uma imagem de medo para as pessoas à toa para depois desmanchar o medo. Interessante que a luz do céu veio na direção dele. Ele deve ser mesmo especial.
Finalmente, parabenizo-o por conseguir agüentar duas horas no culto. Sei que foi difícil, como disse. Não sei como alocaram os acontecimentos ao longo do culto. De qualquer forma parece que foram acontecimentos esparsos ao longo das longas duas horas. Parabéns.
assinado: irmão K-fé
Sobre o 1° culto na Igreja Internacional da Graça de Deus
Caro irmão Xexéu,
Achei estranhas as práticas desta congregação da Igreja Internacional da Graça de Deus que você visitou. Trigo e outros artefatos até poderiam de certa forma introduzir arte no ambiente, enriquecendo o culto. Mas esse não foi o caso. Parece que atribuem certos poderes mágicos aos objetos. Isso me lembra a luta da Reforma Protestante contra as indulgências da Igreja Católica. As indulgências eram não só um meio de a igreja tirar dinheiro das pessoas, mas também um meio de “desviar” a fé pessoal no Criador para os objetos. Apelando para a superstição das pessoas, esses objetos propõem uma fé fácil e, em última instância, falsa. Como disse Jesus a Tomé, ” Porque me viste, creste? Felizes os que não viram e creram” (João 20:29).
Sobre a veste sacerdotal dos pastores, achei isso também estranho. A Reforma Protestante foi a favor do sacerdócio universal e do relacionamento direto entre o crente e Deus. Como diz 1 Timóteo 2:5, ” Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”. E todos nós sabemos que no dia de hoje a imagem fala muito (o marketing é a alma do negócio!). As roupas são um símbolo. As roupas falam que os pastores são especiais, crentes ‘mais crentes’ e ‘mais santos’ que os crentes comuns. Isto é lastimável. Principalmente em tempos de tanta desigualdade social no Brasil. As pessoas não precisam de imagens de super-heróis. Precisam ser relembradas da imagem de Jesus lavando os pés dos discípulos (João 13). Precisam ler passagens como a de Mateus 20:25-27:
“Jesus, pois, chamou-os para junto de si e lhes disse: Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles. ão será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo; “
É estranho este “evangelho da prosperidade” que deixa de lado estas histórias de Jesus.
Irmão Xexéu, espero que tenha mais sorte na próxima igreja.
Um abraço,
K-fé