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6º culto: Igreja Batista da Lapa, São Paulo
No dia 21 de março de 2008, fui à Igreja Batista da Lapa, em São Paulo, assistir a uma cantata de Páscoa.
A reunião tinha horário marcado para as 20:00. Cheguei por volta das 20:05. Logo na entrada do templo, um irmão bastante entusiasmado me abordou com a seguinte pergunta: “Você acredita em milagres?” Acho que ele não esperava que eu respondesse porque, antes que eu esboçasse qualquer reação, ele me entregou um pequeno papel onde eu deveria anotar meus pedidos de oração e depositá-los num recipiente, em forma de uma casa, na frente do palco. Peguei o papel e fui me sentar na galeria, no fundo do templo.
Depois de alguns instantes, a reunião começou. Havia uma pequena orquestra formada por 3 clarinetes, 5 violinos, 4 saxofones, 4 flautas, 2 trompetes, 2 trombones, bateria e contrabaixo. A música cantada foi “Sou feliz”, com a letra projetada no telão. Chamou-me a atenção o regente da orquestra que, nos intervalos das estrofes e estribilho, suspendia a regência e esperava o pastor entrar já que, o pastor, visivelmente sem qualquer noção de música, atropelava no final das estrofes. Gostei da atitude do regente, pois demonstrou maturidade ao lembrar-se que os músicos estavam ali apenas para acompanhar e não para impôr uma interpretação musical impecável.
Atrás de mim, havia uma moça que cantava de forma muito entusiasmada, com uma impostação vocal bastante lírica. No final da música, todos aplaudiram.
Seguiu-se uma oração pelas ofertas, que deveriam ser depositadas no gazofilácio. Depois desse momento, o pastor falou sobre os “pedidos impossíveis” que deveriam ser depositados na casinha de oração que, a propósito, representava a família.
Depois desse momento, os visitantes foram convidados a se colocarem de pé para serem conhecidos e saudados pelos membros da igreja, enquanto uma mensagem de boas vindas era exibida no telão. Eu me mantive sentado, enquanto os demais visitantes se colocaram de pé e foram cumprimentados. O pastor solicitou que os visitantes continuassem de pé para que fossem identificados pelas pessoas que entregariam um cartão de boas vindas. As pessoas portando os cartões de boas vindas demoraram o tempo suficiente para os visitantes, esquecidos, se sentassem. Quando eu já achava que ninguém apareceria, o pessoal apareceu. E, por uma razão misteriosa, os visitantes que ficaram de pé receberam o cartão, mas eu, não. Não consegui identificar como eles souberam que eu não tinha ficado de pé. Por fim, pedi um cartão e recebi.
Enquanto os cartões não vinham, o pastor fez a apresentação do Projeto Família. O culto de sexta-feira, se não me engano, tinha a ver com o projeto. A cantata foi incluída na programação por causa da Páscoa. A apresentação do projeto foi acompanhada de imagens no telão e, no final, foi exibido um clipe de uma música referente ao projeto, se não me equivoco, num estilo quase Cassiane.
Na seqüência, deu-se a oração pelos pedidos. Várias pessoas haviam depositado seus pedidos anotados no papel.
Logo após, as crianças foram chamadas para a frente, houve uma oração por elas, e elas foram encaminhadas ao culto infantil. Nessa altura, o coral já havia se posicionado no palco, todos de beca, pouco mais de 60 pessoas (mais ou menos 21 sopranos, 18 contraltos, 14 tenores e 11 baixos). Um narrador fez a introdução da cantata, expondo aos presentes o significado da páscoa.
A cantata foi apresentada, acompanhada de algumas declamações, narrações, encenações concomitantes e algumas danças. A música era bonita (o primeiro tema era um arranjo era o extraordinário tema “Ó fronte ensangüentada” da Paixão Segundo São Mateus, de Bach). Entretanto, achei a cantata num tom um pouco baixo o que implicou numa interpretação um pouco desmotivada, na minha opinião. Um amigo opinou que a tonalidade poderia ter sido proposital para gerar um clima mais sombrio; faz sentido. A orquestra, que recebeu a adição de um piano de caudas, teve uma sonoridade equilibrada com o coral. O coral soava bem, indicação de um bom preparo vocal. Entretanto, ainda bem que o texto cantado estava sendo projetado no telão porque, muitas vezes, não dava para entender o que eles cantavam. Durante a cantata foram projetadas algumas imagens do filme “Paixão de Cristo” do Mel Gibson.
Imediatamente ao término da cantata, me retirei do templo, pois tinha um bom percurso até minha casa. Era pouco depois das 21:30. O irmão empolgadíssimo do início do culto cumprimentou-me discretamente e sem animação, respondendo ao meu discreto cumprimento de cabeça.
Ah, o papelzinho que ele me entregou para anotar os pedidos de oração foi utilizado para anotar alguns aspectos da reunião, o que me permitiu escrever esse relato.
– Irmão Crecréu
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